Há temas que atravessam a vida de quase todas as pessoas: o desejo de ser escolhido, o medo da perda, a dificuldade de encerrar ciclos e a busca por relações que façam sentido.

Quando falamos de amor, porém, é preciso fazer uma distinção importante: amar não é controlar. Um vínculo não se fortalece pela dependência, pela manipulação ou pela tentativa de interferir na escolha do outro. O amor que vale a pena exige presença, responsabilidade, escuta e liberdade.

Foi a partir dessa reflexão que realizamos o Ritual do Amor no TELAR.

Para além dos estereótipos

A figura da Pombagira costuma ser reduzida, de forma equivocada, a imagens de sedução, ciúme ou relações amorosas. Essa leitura é limitada e reproduz estigmas que atravessam as religiões de matriz afro-brasileira e o próprio feminino.

Nas vivências de Umbanda, as Pombagiras também podem ser compreendidas como referências de força, movimento, consciência do desejo, coragem e autonomia. Elas nos convidam a olhar para os afetos sem ingenuidade, a reconhecer nossos limites e a ocupar a própria vida com mais verdade.

Falar de amor, nessa perspectiva, não é falar apenas sobre encontrar alguém. É refletir sobre como nos relacionamos com nós mesmos, com nossas escolhas, com a nossa história e com as pessoas que caminham ao nosso lado.

O amor começa pela forma como nos tratamos

Muitas relações se tornam dolorosas quando depositamos no outro a responsabilidade por preencher ausências que precisamos reconhecer em nós mesmos.

O amor-próprio não é isolamento nem indiferença. É a capacidade de se perceber como alguém digno de cuidado, respeito e reciprocidade. É poder dizer “sim” com consciência e “não” quando um limite precisa ser protegido.

Nesse sentido, fortalecer a autoestima não significa se tornar imune às dores da vida. Significa desenvolver recursos para não se perder de si mesmo diante delas.

Relações também são escolhas

Uma relação saudável não elimina os conflitos, mas cria condições para que eles sejam enfrentados com diálogo e respeito.

Reciprocidade, consentimento, confiança e responsabilidade afetiva não são detalhes mas sim fundamentos de qualquer vínculo que pretenda permanecer de forma honesta.

Por isso, o Ritual do Amor não teve como propósito interferir na vontade de ninguém ou criar vínculos artificiais. Foi um momento de oração, reflexão e fortalecimento, voltado à compreensão de que o amor não deve aprisionar.

Um convite à maturidade afetiva

Amar também é aprender a soltar o que não pode ser sustentado à força e é reconhecer que nem todo encontro foi feito para durar, mas todo encontro pode ensinar algo sobre nós.

O Ritual do Amor, realizado em 26 de julho de 2026, foi um convite para olhar os vínculos com mais consciência: acolher o desejo, respeitar a liberdade, fortalecer a própria presença e escolher relações que possam existir com verdade.

Porque o amor não se prende. O amor se constrói.

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